Grupo de Guitarra e Canto de Coimbra


Nasceu em 4 de Julho de 1985, para completar a diversidade (de entre o teatro de boulevard aos vários géneros musicais…), imposta a um Café-Concerto inaugural do Espaço Fórum, hoje denominado Fórum Actor Mário Viegas, do Centro Cultural Regional de Santarém.

A tradição da toada coimbrã em Santarém remonta às primeiras décadas do século XX, embalada por sucessivas gerações de estudantes do Liceu de Santarém (Sá da Bandeira), incentivados pela força ancestral dos estudantes de Coimbra.

As serenatas às meninas dos colégios femininos, o apoio técnico-artístico do Orfeão e Orquestra Típica do Círculo Cultural/Taborda, com os seus instrumentos tradicionais, entre os quais a guitarra e a viola e com os seus solistas, a difusão dos valores da Terra pela Rádio Ribatejo, pela mão do Capitão Varela Santos, locutores e equipa técnica, para além das actuações mais internas, expressas nas Serenatas no Largo do Seminário e nos Grupos de Fado de Coimbra, anualmente renovados para apresentação na Récita do Rosa Damasceno, propiciaram o desabrochar de valores que seria erro não mencionar, embora correndo o risco de falhas graves:

João Moreira, Veríssimo Serrão, Francisco Barbosa, José Maria Sousa Rafael, Rui Cacho, Lucílio Martins, Victor Tavares, Francisco Bergstron Barbosa, Florêncio de Carvalho, António José Graça, Fernando Rolim, David Leandro Ribeiro, José Niza, António Viegas Tavares, José Beja, Victor Melancia Casimiro, Fernando Martinho, José Barbosa, Luís Guilherme, Elias Cachado Rodrigues, António José Madeira Lopes, João Roque Dias, Valdemar Benavente, Jácome Ramalho, Fausto Castela, António Luís Gomes, Eliseu Beja, João Monteiro Ferreira, João Carlos Pereira, José Delgado (Ronca), Carreira Penteado, e o Rebelo, o Estrela, e o Lucílio, o Quelhas e o Coelho das Neves, e mais este e aquele, à espera de uma recolha histórica para os anais da cidade de Santarém, foram alguns dos percursores da canção de Coimbra em Santarém.

Muitos, prosseguindo os estudos em Coimbra, continuaram na sua toada coimbrã e hoje integram já o património musical do Fado de Coimbra.

Alexandre Tavares, pontificando na Orquestra Típica (onde actuaram os cantores Fernando Rolim e Victor Melancia Casimiro…) e nas tertúlias do fado, possuindo duas guitarras, uma do formato de Lisboa e outra de Coimbra, construída pelo João Pedro Grácio e que teria pertencido a Artur Paredes, assumia, no ensino, as duas vertentes, perante os seus diversificados alunos, tanto na guitarra como na viola, sendo o equivalente em Santarém, ao trabalho desenvolvido em Coimbra, ao longo dos anos, quer por Flávio Rodrigues quer por António Portugal ou Jorge Gomes….

Era o “nosso” Professor !

Nos finais dos anos 50 e durante os anos 60 aparece, em Santarém uma nova geração com o peso e a responsabilidade do manancial referenciado.

Deste período nasceu o núcleo base do Grupo “Guitarra e Canto de Coimbra”, instalado institucional e umbilicalmente no Centro Cultural Regional de Santarém.

Sendo um projecto despretensioso, assumiu-se, desde a primeira hora, como elemento congregador dos amantes do Fado de Coimbra, nas suas várias matizes, percorrendo desde os seus primórdios, passando pelo Período de Ouro, pelos poemas e baladas da resistência até às experiências mais recentes e ousadas com o progressivo vibrante acompanhamento da guitarra ou a exclusividade da viola.

À vertente do convívio boémio, indispensável e saudável terapia para o moderno stress, juntou-se a preocupação do efeito multiplicador pelo divulgar e difundir, criando público e intérpretes, visando a passagem do testemunho aos jovens.

Procurou-se sempre conciliar a qualidade, com a preservação de um núcleo base, mas nunca fechando a porta ao alargamento de instrumentistas e cantores que diversificaram a dinâmica de salutar envolvimento de novos valores.

Retomando a Serenata Tradicional dos Estudantes de Santarém, no Largo do Seminário a partir de 1986, a ela foram chamados inúmeros grupos, -com particular realce para o Dr. José Amaral e todos os componentes do seu Grupo Abrantino -, integrando dezenas de intérpretes – dos mais valiosos-, que aqui honraram a canção de Coimbra,

Ângelo de Araújo, António Brojo, Augusto Camacho Vieira, Durval Moreirinhas, Lopes de Almeida, Alexandre Bateiras, Jorge Tuna, José Amaral, Augusto Camacho, Carlos Figueiredo, Fernando Rolim, Machado Soares, David Leandro Ribeiro, José Niza, João Alvarez, Levy Baptista, Miguel Drago, Sutil Roque, Tito Costa Santos, só para citar alguns, partilharam com este Grupo a alegria de manter viva a interpretação deste tipo de música – único – que se impõe pela grandiosidade do poema, pelo lirismo da interpretação e pela vibração do instrumental.

As homenagens por nós promovidas a Carlos Paredes, Edmundo Bettencourt, Florêncio de Carvalho, José Amaral, José Afonso, José Niza, Adriano Correia de Oliveira, Ângelo de Araújo, Fernando Rolim e David Leandro Ribeiro foram também momentos altos !

Estamos certos que neste percurso contribuímos, com a consciência da nossa modéstia, com os milhares de ensaios e as centenas de actuações, para o impulso a novos intérpretes e criação ou manutenção de outros grupos em experiências semelhantes.

Realce para a inovadora coragem de integração de vozes femininas no canto, que, sem esquecer que as serenatas nasceram com rapazes a mimarem meninas à janela, se reconhece que os tempos não estagnam e a população estudantil é constituída maioritariamente por raparigas…

Com a inspiração das águas do Mondego e do Tejo o Grupo “Guitarra e Canto de Coimbra” manter-se-á vivo, com o voluntarismo e dedicação dos elementos que em cada momento o integram, mais de perto, e o apoio dos amantes da toada coimbrã.

Composição actual do grupo-base:

Fernando Martinho-guitarra
João Luís Madeira Lopes-guitarra
Hugo Martinho-guitarra
Elias Rodrigues-viola
Jacinto Fernandes-viola
Raúl Melo Santos-cantor
Victor Melancia Casimiro-cantor
Octávio Freitas-cantor
Francisco José Costa–cantor
Victor Grego – sonoplasta

Integraram também o Grupo, “Guitarra e Canto de Coimbra” do CCRS ao longo dos anos, com mais estabilidade ou em participações pontuais os seguintes elementos, como instrumentistas e cantores:

António José Madeira Lopes
António José Pires Viegas Tavares
António Paulo Moreira da Silva
Francisco Madeira Lopes
José Beja
José Morte (Pepe)
Luís Carlos Duarte Bastos
Malha Valente
Nuno Neto de Almeida
Paula Jacob
Sebastião Louro
Sónia Simões
Valdemar Benavente

Como apresentadores ou elementos da técnica:

Arnaldo Vasques
João Gomes Moreira
José Duarte Gonçalves (Isabelinha)
Rui Bernardino
Vicente Batalha

Santarém, Agosto de 2017